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Publicado em 02/06/2026 por Redação: Rádio Brazópolis
Os Correios registraram prejuízo de R$ 3,16 bilhões no primeiro trimestre de 2026, resultado 82,3% superior ao apurado no mesmo período do ano passado, quando as perdas somaram R$ 1,72 bilhão. Os dados constam no balanço financeiro divulgado pela estatal, que segue enfrentando desafios para recuperar o equilíbrio das contas.
O resultado negativo ocorre após a empresa encerrar 2025 com prejuízo recorde de R$ 8,5 bilhões, o maior da história da companhia.
De acordo com os Correios, a deterioração do resultado foi influenciada pela queda nas receitas, pelo aumento das despesas financeiras e pela revisão das provisões destinadas a processos judiciais.
Entre janeiro e março deste ano, a receita bruta da estatal alcançou R$ 4,04 bilhões, representando redução de 2,2% em relação ao mesmo período de 2025. Ao mesmo tempo, as despesas financeiras saltaram de R$ 283 milhões para R$ 985 milhões, alta de 248%.
Outro fator que impactou o balanço foi o reconhecimento de uma provisão de R$ 1,06 bilhão para ações trabalhistas. Com a atualização, o montante reservado para contingências judiciais passou de R$ 3,6 bilhões para R$ 4,66 bilhões.
O segmento de encomendas, principal fonte de receita da empresa, movimentou R$ 2,2 bilhões no trimestre, queda de 5,5% em comparação com o mesmo período do ano anterior.
As postagens internacionais apresentaram retração ainda mais expressiva, recuando 60,3% e totalizando R$ 156 milhões. Já os serviços de mensagens, que incluem cartas e documentos, geraram receita de R$ 1,2 bilhão.
Segundo a estatal, o desempenho reflete o aumento da concorrência no setor logístico e a redução da demanda pelos serviços postais tradicionais.
Apesar do prejuízo, os Correios informaram ter conseguido reduzir parte dos custos operacionais.
Os gastos com produtos e serviços caíram 7,6%, passando de R$ 4,01 bilhões para R$ 3,7 bilhões. As despesas com pessoal também registraram queda de 4,1%, reduzindo-se de R$ 2,8 bilhões para R$ 2,7 bilhões.
A empresa atribui parte dessa redução ao Programa de Demissão Voluntária (PDV), implementado em 2024.
Outro indicador que chamou atenção foi o aumento das indenizações pagas por atrasos na entrega de encomendas.
Em março de 2025, o valor desembolsado pela estatal era de R$ 2 milhões. Um ano depois, o montante chegou a R$ 30,5 milhões, mais de 15 vezes superior.
Segundo os Correios, o crescimento está relacionado aos problemas operacionais enfrentados pela empresa, especialmente após a greve dos funcionários ocorrida no fim de 2025.
Desde setembro de 2025, sob a presidência de Emmanoel Rondon, os Correios executam um plano de reestruturação financeira que inclui redução de despesas administrativas, revisão de contratos, venda de imóveis sem uso operacional, modernização tecnológica e busca por novas fontes de receita.
A estatal também contratou, em 2025, um empréstimo de R$ 12 bilhões com garantia da União para reforçar o caixa e financiar parte do processo de reorganização financeira.
Apesar do cenário desafiador, a empresa registrou lucro bruto de R$ 153,4 milhões no trimestre. O indicador considera apenas receitas e custos diretos da operação, sem incluir despesas administrativas, financeiras e judiciais.
A expectativa dos Correios é concluir o processo de reestruturação e voltar a apresentar resultados positivos a partir de 2027.
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