A Federação Internacional de Futebol (Fifa) anunciou que desistiu do plano de vender parte de uma nova subsidiária responsável pela gestão de suas principais competições, incluindo a Copa do Mundo, após a proposta enfrentar forte oposição de federações nacionais, especialmente da Europa.
O projeto previa a criação da Fifa Forward Enterprise (FFE), empresa avaliada em US$ 20 bilhões, que concentraria os direitos comerciais dos principais torneios da entidade. A intenção era vender cerca de 20% da subsidiária, operação que poderia arrecadar até US$ 4,2 bilhões.
A proposta foi apresentada oficialmente no fim de julho, mas gerou reação imediata de parte das associações filiadas. A União das Associações Europeias de Futebol (Uefa) criticou duramente a iniciativa, afirmando que a medida colocaria a “alma” do futebol à venda ao permitir a entrada de investidores privados na gestão dos ativos comerciais da entidade.
Diante da repercussão, o presidente da Fifa, Gianni Infantino, informou que o projeto foi retirado.
Segundo o dirigente, após ouvir as federações, ficou evidente que a proposta havia provocado divisões internas incompatíveis com o objetivo de fortalecer e unir a organização, motivo pelo qual ela não seguirá adiante.
A crise também provocou mudanças internas. O assessor sênior de Infantino, Carlos Cordeiro, pediu demissão em protesto contra o plano. Já o diretor de operações da Fifa, Kevin Lamour, criticou a condução do projeto e afirmou que a equipe foi surpreendida pela iniciativa, classificando-a como uma decisão centralizada.
Pelo modelo proposto, a Fifa criaria uma empresa separada para administrar a Copa do Mundo e outras competições internacionais. O grupo de investidores seria liderado pela Thrive Eternal, fundo administrado pela Thrive Capital, empresa fundada por Joshua Kushner.
Desde o início, a Fifa havia informado que a operação somente seria concretizada caso obtivesse o apoio da maioria de suas federações filiadas. Com a falta de consenso e a crescente oposição ao projeto, a entidade decidiu encerrar a proposta antes de submetê-la à implementação.